sexta-feira, 18 de dezembro de 2009



eu lhe desejo
um NATAL de paz
e tudo que a ARTE
inda for capaz
eu
m Dois Mil e Dez
com muito AMOR
da cabeça aos pés

arturgomes
SampleAndo
http://artur-gomes.blogspot.com/

Poesia no Poste

Dia 22 dezembro – 19:00h
Rua do Mercado Esq. Com Rosário – Rio de Janeiro
Realização: Os Goliardos/Panela 21

Estação do samba
para Marko Andrade

procuro melodia no Estácio
sigo o compasso do ócio no cio
caço o amor pelo laço
nessa cidade um abraço
o meu amor pelo Rio

a noite abro a janela
do outro lado a Portela
azul e branco é meu véu
manto sagrado dos deuses
sambistas que moram no céu

quando amanhece é favela
meu coração passarela
se abre nova estação
seja Portela ou Mangueira
Osvaldo Cruz Madureira
o samba se faz comunhão

Artur Gomes
http://courocrucarneviva.blogspot.com/

sonhos de verão

lendo em teu livro/corpo
corpo/livro que me empresta
este poema é o que resta
das mil e umas noites de verão
quando pensei em Teerã
você sonhava comigo
e eu coloquei no teu umbigo
o veneno doce da maçã
e o vermelho sangue da pitanga
foi o que ficou na minha tanga
quando beijou meu sexo de manhã

e o teu sonho me revelava
o consciente do teu in
ultrapassava o sono do teu eu
e mostrava o que quer de mim

assim
como uma praia em fortaleza
marília londrina itajubá
porto inseguro
dentro do sol nosso futuro
velas ao mar algas na areia
este teu corpo me ponteia
como punhal na lua cheia
apalo seco na canção

e eu solto velas ao vento
na travessia espaço e tempo
sendo real ou tanto faz
com a linguagem que invento
para aportar teu porto e cais


Artur Gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

Pesia no Poste

"Poesia no Poste" tem como eixo a cidade em sua dimensão educadora e a poesia como referência estética. A cultura da cidade é o seu DNA. Não existe cidade sem cultura e mais, sem cultura urbana que lhe é própria.

DIA 22 DE DEZEMBRO, ÀS 19: 00 HORAS, NA RUA DO MERCADO COM RUA DO ROSÁRIO.

OS GOLIARDOS
Trata-se de um coletivo ativo de artistas oriundo do Panela de Pressão(Cooperativa Mista de Artistas Suburbanos),atual PANELA 21, que nos anos 70 e 80 percorreu a periferia da Cidade do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense fazendo da cultura uma ferramenta de transformação social. Iluminava e valorizava ações micropolíticas instrumentalizando diversas manifestações artísticas. Neste sentido, ocupou praças, trens, pontos de onibus, escolas, igrejas, associação de moradores, centros de candomblé, umbanda, quintais e se engajou efetivamente nos movimentos sociais mais expressivos dos referidos anos.
Hoje, Os Goliardos estão nas praças, nas esquinas, nos postes fazendo da arte antena da alta modernidade e trabalhando o Rio de Janeiro como uma cidade educadora.

REALIZAÇÃO:

Os Goliardos
Secretaria Mucipal de Cultura - SMC
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - PCRJ
Os Goliardos/PANELA 21

MARKO ANDRADE
www.myspace.com/tupyafro

A Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Superintendência de Bibliotecas Públicas, e a Representação Regional do Ministério da Cultura / MG convidam todos os envolvidos com o trabalho de democratização do acesso à leitura e formação de leitores, bem como os da cadeia criativa e produtiva do livro, a participarem da etapa preparatória para a II Conferência Nacional de Cultura.

Pauta:
Elaboração de propostas do setor, por eixo temático;Avaliação do Plano Nacional do Livro e da Leitura / PNLL;Eleição dos delegados para a Pré-Conferência Nacional Setorial do Livro, Leitura e Literatura.

Dia: 21 de dezembro, segunda-feira,
Horário: das 09 às 17 horas

Local:
Teatro da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa
Praça da Liberdade, 21 - Funcionários - Belo Horizonte
Inscrições: http://www.cultura.mg.gov.br/
ou (31) 3269-1219 3269-1202 3293-5713 3293-5796

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SampleAndo



o poema pode ser um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
estrelas de neon em Vênus
um tiro oculto sob o céu aberto
refletindo pregos no meu peito em cruz
na paulista consolação na água branca barra funda
metal de prata desta lua que me inunda
num beijo sujo como a estação da luz

nos vídeos/filmes de TV
eu quero um clipe nos teus seios quentes
uma cilada em tuas coxas japa
como uma flecha em tuas costas índia
ninja gueixa
eu quero a rota teu país ou mapa
teu território devastar inteiro
como uma vela ao mar de fevereiro
molhar teu cio e me esquecer na lapa

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pop Rock Poesia

VMH Estúdio apresenta:
http://www.vmhonline.com

Pop Rock Poesia
Dia 31 janeiro 2010 – a partir das 16:00h
Parque das Ruínas – Santa Teresa – Rio de Janeiro

www.myspace.com/riverdies

maiores informações: fulinaima@gmail.com

Jura Secreta 92

quero tudo que em teu corpo grita
silêncio onde a palavra é gozo
a lua em tua pele espelha
aquilo que tu’alma aflita
reclama por inda não ter repouso

Artur Gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/



Fulinaimagem

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato
bagana acesa sobra do cigarro
é sarro
dentro do carro ainda ouço Jimmi Hendrix
quando quero
dancei bolero
sampleAndo rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura é foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel

Artur Gomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

o mundo que venci deu-m um amor

O mundo que venci deu-me um amor,
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes couraçados.

O mundo que venci deu-me um amor
Alado galopando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.

O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.

Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em campos de vitória...

Mário Faustino
(1930-1962)

Mais sobre Mário Faustino em
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Faustino

Monitor Campista: agora é com a gente

A campanha Viva Monitor chegou a um ponto em que poderá testar, objetivamente, o quanto os campistas prezam este patrimônio e o exercício de um jornalismo de qualidade. Há uma oferta concreta de venda da marca aos funcionários, para que possam continuar com o jornal, e há um prazo.

Diferentemente do modo usual para estes casos, em que uma operação de bastidor correria o pires entre alguns poucos, que com suas grandes quantias poderiam, na prática, virar donos do jornal, a opção do Movimento Viva Monitor foi abrir uma campanha pública de doação, com todos os nomes e valores publicados em uma lista.

A chance colocada implica, até mesmo, na possibilidade de avançar ainda mais na independência do jornal. O que defendo, inclusive, é que as contas de uma futura instituição que administre o Monitor Campista sejam detalhadamente publicadas na internet. O leitor poderá saber quanto cada anunciante pagou por anúncio e por qual período. Poderia saber quanto custa imprimir, qual é a sua tiragem real, quais são e a quais valores correspondem outros gastos do jornal. De quanto é a folha de pagamento de pessoal, e por aí vai. Não tenho notícia de um jornal que tenha operado com tamanha transparência.

Anestesiados pelo histórico político da cidade, e do envolvimento da imprensa com este histórico político, é possível que muita gente que poderia ajudar no Movimento Viva Monitor esteja recolhido em cética e confortável desconfiança. É compreensível.

Mas o fato é que temos uma chance real de salvar o Monitor com as características que ele vinha tendo até então, mantendo-o operado pelos seus funcionários.

Se a campanha de arrecadação não conseguir atingir seu objetivo, ou se um outro interessado externo comprar sozinho o jornal (e transformá-lo, por exemplo, em porta voz de algum grupo político local), os integrantes do Viva Monitor poderão dizer, com a consciência tranquila, que fizeram a sua parte.

E você, que gosta do Monitor e ainda não se engajou neste movimento, o que poderá dizer?

Postado por Vitor Menezes

http://urgente.blogspot.com/

Mário Faustino
Amante da morte

“Sinto hoje, no coração, um vago tremor de estrelas” (Lorca)

Vida, amor e morte são temas capitais da poesia de Mário Faustino. Entrelaçados, esses elementos sustentam o seu timbre poderoso, erudito. A morte em Mário não é apenas um pretexto de escrita, uma vacilação. É anseio, pressentimento. A sua morte trágica em 27 de novembro de 1962, na explosão de um Boeing da Varig, confirmou a previsão de uma frenóloga de Nova York. Morreu aos 32 anos de morte anunciada e pressentida. Toda a sua obra é marcada de presságios, envolta numa aura dramática, tensa, onde a morte paira seu silêncio e vulto.

O poema Romance é exemplar dessa premonição. A respeito desta peça literária, a professora Albeniza Chaves, da Universidade Federal do Pará, se pronunciou: “O poeta experimentará situações místicas, pressentirá a proximidade do seu fim, sentirá, novo Cristo, o abandono e a traição, o peso e a ingratidão do mundo, fará, enfim, a sua via crucis sem conseguir resolver o enigma Vida-Morte, diante do qual seu sentimento é o trágico e o amor fati – aceitação heróica do destino”.

Albeniza prossegue em sua análise: “Esse amor fati, ainda expressão de erotismo universal de Mário Faustino, tem algo de tragicidade inerente à atitude desafiadora do homem que procura uma estranha fé na Vida que a Morte revigora. É a confiança do ser desnudo, a fé na existência pela existência, que chega até mesmo a transformar a morte num acontecimento festivo, amado, esperado, como proclama a canção Romance: “Não morri de mala sorte/morri de amor pela morte”.

Poeta construtor, artífice, a mão suando cada verso, a palavra precisa em cada gesto, Mário – que também era jornalista – sabia das torturas que o poeta submete o vate desamparado. De nada adianta recorrer às musas simplesmente; é preciso pulsar a obra, concebê-la como universo a lapidar, suor, trabalho. Escrever – e escrever bem – é uma tarefa difícil, mas o poeta se atirou a essa penosa empreitada. Buscou em Eliot, em Pound, nos poetas da Antigüidade, as pilastras para a consumação de uma obra em vertiginosa ascensão.

Durante os anos em que editou a página Poesia Experiência, no Jornal do Brasil, mostrou sua verve crítica, a capacidade de reconhecer o verso preciso, a poesia fundamental em contemporâneos e avoengos. Comentava com precisão a metáfora ímpar e demolia sem titubear o texto empavonado e incompetente. Exigia dos autores o compromisso com a palavra, com a evolução da poesia. Exigia-lhes conhecimento do terreno, capacidade de superação.

Seu único livro publicado, O Homem e sua Hora, foi suficiente para dar a conhecer a sua voz poderosa. Poesia de tom nunca decadente, a de Mário. Em seu texto jamais o desleixo, a irresponsabilidade que conduz ao verso mal acabado à barbárie do poema sem convicção e sem unidade. Nesta edição, há bons exemplos de sua escritura. A palavra como ética, como expressão e como estética.

Mário nasceu no Piauí e aos nove anos mudou-se para Belém. O episódio da vidente de Nova York é significativo. Mário não levou a sério as previsões da astróloga e frenóloga sobre as péssimas conjunções do período. Riu-se o poeta, mas na hora de viajar adiou o quanto pôde, afinal a vidente havia conseguido revelar, sem erro, detalhes do passado de Faustino. Quando não era mais possível adiar, ganhou coragem e partiu. Antes, cheio de desconfiança, deixou com a mãe adotiva (sua cunhada) instruções de como proceder caso a fatalidade... ah, a fatalidade...

Os que falaram com Mário antes da viagem revelaram-no tranqüilo. Tranqüilo, voou nas asas da morte. Partiu, deixando um vácuo na vida literária brasileira. Sim, porque não são poucos os que afirmam que a página Poesia Experiência até hoje não encontra par pela contribuição que promoveu do fazer poético, pela crítica contundente e pelo debate teórico profundo e refinado.

Mário Faustino era bem o crítico arguto, exigente, implacável, que não poupava nomes da envergadura de Drummond e João Cabral de Mello Neto, sem falar em Vinicius de Moraes. Do poeta de Claro Enigma, afirmou convicto e quase cruel que nunca seria um Pound, um Elliot, pois faltava-lhe “participação”, deixar de agir poeticamente só pelos poemas que publicava e discutir a sério a poesia. Outra: “Cala-se. Não manifesta grande interesse pelo progresso da poesia”, cobrou a certa altura do competentíssimo Drummond.

Mas sua fina percepção sabia reconhecer as virtudes de cada um. Jorge de Lima ainda não havia sido suficientemente apreciado, e Faustino lhe teceu fervorosos elogios, dizendo-o um “finado mais vivo que todos os que sobreviveram”, apesar de, segundo ele, não ter incendiado, em suas revoluções, muitos dos templos em que deveria ter ateado fogo. “Libertou-nos de muita sintaxe, de muitos cacoetes – materiais e formais – porém estimulou outros. É muita coisa, mas não basta”, sentenciou.

À frente da Poesia Experiência,Mário incendiou o panorama literário brasileiro entre setembro de 1953 e novembro de 1958. Com o lema “Repetir para aprender, criar para renovar”, foi o primeiro a apoiar o Concretismo. Crítico seguro, um dos mais conscientes de sua geração, pôs por terra a fama de muitos autores erroneamente endeusados e cobrou avanços de outros tantos, ao mesmo tempo em que recuperou de nomes de valor que estavam soterrados, e revelou outros.

Porém não atravessou em mar tranqüilo a dissecação que operou sobre o corpo estirado da poesia brasileira. Sofreu – como não poderia deixar de acontecer a um polemista – ataques à sua forma de proceder a revisão dos autores do passado e de sua época.

Com o escritor Haroldo Maranhão e o ensaísta Benedito Nunes (um ícone da teoria literária da atualidade e um dos principais críticos de Faustino), o poeta fundou a revista Encontro, que não passou do primeiro número. Mário e Nunes fizeram a revista em Belém e a enviaram para Haroldo Maranhão, no Rio de Janeiro. Fiel ao seu estilo cáustico, Maranhão não hesitou a folhear o material: “Está uma m...!”. Acabou-se assim Encontro, mas os amigos permaneceram juntos, discutindo e trabalhando no suplemento literário do jornal “Folha do Norte”, do Pará.

Mário viajou para os Estados Unidos, a fim de estudar no Pomona College, com bolsa do Rotary International. Um ano depois voltou a Belém, onde trabalhou na extinta Spvea (atualmente Sudam). A trabalho, viajou para o Rio de Janeiro, onde o cargo de professor-assistente na Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas.

Depois, foi para o Jornal do Brasil, onde estreou com Poesia-Experiência e depois assumiu a Editoria de Política. Viajava para Cuba como correspondente na área quando o avião chocou-se com o Cerro de La Cruz, próximo a Lima. Junto com ele foram-se os originais de um novo livro, sem título, e que o poeta paraense Ruy Barata – um dos raros a lê-los – disse que já se distanciavam dos de O Homem e sua Hora e que eram brilhantes. A pedra dura, a mão rochosa do destino despetalou a não rosa. E Mário, obcecado pela palavra, foi-se para sempre, com seu poema alado.

Para saber mais: Há dez anos a editora Max Limonad lançou “Poesia Completa e Traduzida”, de Mário Faustino. Introdução, organização e notas de Benedito Nunes. O livro traz poemas, fotografias do poeta, traduções e fragmentos de um poema que não chegou a concluir.

ROMANCE

Para as Festas da Agonia
Vi-te chegar, como havia
Sonhando já que chegasses:
Vinha teu vulto tão belo
Em teu cavalo amarelo,
Anjo meu, que, se me amasses,

Em teu cavalo eu partira
Sem saudade, pena, ou ira;
Teu cavalo, que amarraras
Ao tronco de minha glória
E pastava-me a memória
Feno de ouro, gramas raras.

Era tão cálido o peito
Angélico, onde meu leito
Me deixaste então fazer,
Que pude esquecer a cor
Dos olhos da Vida e a dor
Que o Sono vinha trazer.

Tão celeste foi a Festa,
Tão fino o Anjo, e a Besta
Onde montei tão serena,
Que posso, Damas, dizer-vos
E a vós, Senhores, tão servos
De outra Festa mais terrena
Não morri de mala sorte,
Morri de amor pela Morte.

O SOM DESTA PAIXÃO ESGOTA A SEIVA

O som desta paixão esgota a seiva
Que ferve ao pé do torso; abole o gesto
De amor que suscitava torre e gruta,
Espada e chaga à luz do olhar blasfemo;

O som desta paixão expulsa a cor
Dos lábios da alegria e corta o passo
Ao gamo da aventura que fugia;
O som desta paixão desmente o verbo

Mais santo e mais preciso e enxuga a lágrima
Ao rosto suicida, anula o riso;
O som desta paixão detém o sol,
O som desta paixão apaga a lua.

O som desta paixão acende o fogo
Eterno que roubei, que te ilumina
A face zombeteira e me arruína.

O MÊS PRESENTE

Sinto que o mês presente se assassina,
As aves atuais nascem mudas
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre homens nus ao sul de luas curvas.

Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda

Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas

De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,

Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)

Há panos de imprimir a dura face
A força do suor de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,

Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.

O tempo na verdade tem domínio.
Amen, amen vos digo, tem domínio.
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.

SONETO

Necessito de um ser, um ser humano
Que me envolva de ser
Contra o não ser universal, arcano
Impossível de ler

À luz da lua que ressarce o dano
Cruel de adormecer
A sós, à noite, ao pé do desumano
Desejo de morrer.

Necessito de um ser, de seu abraço
Escuro e palpitante
Necessito de um ser dormente e lasso

Contra meu ser arfante:
Necessito de um ser sendo ao meu lado
Um ser profundo e aberto, um ser amado.

http://www.artelivre.net/html/literatura/al_literatura_mario_faustino.htm





terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Babilak Bah lança Enxadigmas



Babilak Bah tem apoio cultural do teatro Dom Silvério
Babilak Bah lança os Enxadigmas: novos instrumentos criados a partir do icone "enxada", o livro de poemas "Corpoletrado" e o vídeo "Curacoes".
Sábado, 5 de dezembro, teatro do OI Futuro Klauss Vianna.
21 hs. R$15,00(inteira).
"No bater da enxada, da colheita de timbres, brota o alimento sonoro - verbo eletrônico: vibra o gesto musical em palavras, sons e imagens!"
Consultem o novo site do Artista.

55 31 92011670 55 31 92011670

segunda-feira, 30 de novembro de 2009



Estou lançando meu primeiro álbum gravado ao vivo na choperia do Sesc Pompéia dia 10 de dezembro 21h acompanhado da banda, são músicas gravadas em estudio de meus álbuns anteriores que ganharam arranjos novos e o beat espontâneo de um show registrado ao vivo, apresentaremos canções inéditas e algumas já conhecidas do público. Aguardo voces um abraço de Edvaldo Santana

Hasta la vista !!!

domingo, 29 de novembro de 2009

O Poeta Mário Faustino

Gilfrancisco

A rigor, Mário Faustino dispensa apresentação, mas nunca é demais insistir na sua permanente atualidade e no seu alto nível de realização literária. Jornalista, poeta, tradutor, crítico literário e advogado provisionado, foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Escritores do Pará,pertenceu ao Conselho Nacional de Economistas, ocupou o cargo de chefia na superintendência do Plano de Valorização Econômica da amazonas. Mário Faustino dos Santos e Silva, nasceu em Teresina-Piauí, a 22 de outubro de 1930.

Em 1956, passa a morar no Rio de Janeiro, sobrevivendo como professor de várias matérias na Escola de Administração Pública da fundação Getúlio Vargas. Concomitantemente, passou a assinar a página Poesia-Experiência do suplemento Dominical do Jornal do Brasil, mantida de 23 de setembro de 1956 até 1º de novembro de 1958. Somente em 1977 parte destes artigos foram compilados pelo crítico Benedito Nunes e publicados em livro, prefaciado por esse mesmo crítico, pela Editora Perspectiva.

Em 1959, Mário Faustino foi incorporado ao quadro de redatores do Jornal do Brasil. Em dezembro do mesmo ano, segue para os Estados Unidos para trabalhar na ONU, onde permanece até 1962. Tendo estagiado em vários jornais da América do Norte, Faustino falava fluentemente o inglês, francês, alemão, italiano e espanhol. Realizou importantes trabalhos de interpretação para o Museu de Arte Moderna e continuava ligado a ONU como diretor-adjunto do Centro de informações, em Nova Iorque.

Ainda em 1962, foi editor-geral da Tribuna de Imprensa por curto período. Sua vida, bruscamente interrompida a 27 de novembro daquele mesmo ano, quando o avião em que viajava com destino ao México, em missão jornalística, chocou-se com uma montanha em Las Palmas, subúrbio de Lima-Peru, depois de uma escala.

Suplemento Literário – Matutino fundado no Rio de Janeiro a 9 de abril de 1891, o Jornal do Brasil sofreu a primeira reforma gráfica na gestão de Rui Barbosa, que trocou o “z” de Brasil por um “s”. Seis meses depois da fundação, Joaquim Nabuco assumiu a chefia da redação e escreveu uma série de artigos (As ilusões republicanas e outras ilusões) que provocaram o empastelamento do jornal.

Em 1892, a sua propriedade passou a uma sociedade anônima. A 21 de maio de 1893, Rui Barbosa assumiu a direção de redação, que logo foi forçado a deixar, asilando-se na embaixada do Chile. O jornal passou, então, à propriedade de Fernando Mendes de Almeida, transferindo-se em 1918, para o conde Ernesto Pereira Carneiro, que o conservou até a morte em 1954, quando o controle foi assumido por sua viúva, Maurina Dunshee de Abranches Pereira. Após sua morte em 1983, assumiu a presidência M. F. do Nascimento Brito.

Mesmo o Jornal do Brasil, tradicional periódico especializado em anúncios classificados, não escaparia ao surto da modernidade desenvolvimentista do país. Desta forma, é que, em 1958, sob a responsabilidade do poeta maranhense Odylo Costa Filho (1914-1979), o JB passa por mais uma mudança.

De layout novo, teve em Reinaldo Jardim e no artista plástico Amílcar de Castro os operadores da modificação, que sob as ordens do signo construtivista, direcionavam-se para a criação de novo modelo gráfico-visual.

Lançado a 3 de junho de 1956 o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil –SDJB, a primeira fase foi preparatória e anunciadora da reformulação geral de 1958. A segunda fase, que terminaria na virada de 1959 para 1960, sentiu o ápice de importância, ao padronizar sua diagramação e pauta em torno das questões da vanguarda concretista, da ensaística e da tradução de inéditos textos críticos acerca da literatura e das artes.

A página-seção Livro de Ensaios – dividida em boxes que representam páginas de livros – surge para prover essa rápida atualização, revelam críticos como Augusto e Haroldo de Campos, José Lino Grünewald, Ferreira Gullar, Oliveira Bastos que manifestam os seus pontos de vista. Ezra Pound, Mallarmé, Sartre, Segui Eisenstein, Henry James, Beckett, Apollinaire freqüentam, semanalmente as edições dominicais.

As mudanças aceleradas do SDJB no espaço jornalístico e da cena cultural brasileira, chegam através da arrojada página Poesia-Experiência, dirigida por Mário Faustino entre 1956 e 1958, que teve atuação importante como poeta e crítico de poesia, é um autor de feição moderna, renovador e aperfeiçoador de formas herdadas da tradição, inventor de formas novas flexíveis.
Eclética como o próprio suplemento, propõe-se promover os novos poetas e operar uma ampla revisão da poesia antiga, mostrando o moderno que existe tanto em Lucrécio quanto em Mallarmé. O lema, estampado na página, é “Repetir para aprender, criar para renovar”. Esse credo de origem poundiana “make it new”, capar de re-atualizar as formas do passado em função das exigências do presente, praticado com rigor por Mário Faustino, reveste-se de um tom grave que é próprio das diversas experiências artísticas da década.

Aprendendo e ensinando foi o principal papel da página Poesia-Experiência, uma peça importante na construção da modernidade. Pois Mário Faustino cumpriu esse papel com eficiência, estampando “exemplos” a cada semana em suas páginas, preenchendo os requisitos de racionalidade e economia para atingir a “eficácia” poética.

Poesia – Poeta circular, que se reescreve retomando os mesmos temas fundamentais, e que também reescreve a poesia, Mário Faustino tem uma obra pontilhada de referências. Não é só um dos maiores poetas contemporâneos brasileiros, mas também um poeta por excelência, modelar, por ser o poeta da experiência do poético, da essência da poesia como participação e amplicidade, como um complexo emaranhado de textos e biografias.

Considerado um poeta de síntese e de confluência de linguagem, cultor de versos inventivos, é detentor de um estilo pessoal e inconfundível, que confere unidade e esta variedade de tratamentos formais,fazendo com que cada poema sempre remeta ao conjunto, à totalidade de sua obra. Ou seja, como seu vasto campo de referências ampliando o próprio espaço da linguagem, Mário Faustino, nos remete a um tema que continua atual e presente.

Não há dúvida que o concretismo provocou uma quase radical transformação na maneira como Mário Faustino abordava o poema. E é fácil verificar tal transformação ao se confrontar os trabalhos do seu primeiro livro publicado em 1955, O Homem e sua Hora. Com suas últimas produções, reunindo toda a experiência de um poeta que se sobressai por sua cultura extraordinária e um alto sentido de pesquisa da linguagem, elevando o verso àquela tensão decorrente de um conceito de que a poesia é concentração, é alta voltagem.

Sobre essa influência, Mário Faustino esclarece: “ Não, não sou concretista. Minha formação é muito parecida com a dos poetas Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos e José Lino Grünewald, mas certos aspectos e maneira dessa mesma formação, bem como, e sobretudo, certas condições pessoais, nos colocaram e nos colocam em posição bem distintas, por mais que pareçam aproximadas aos menos informados. Os poetas acima são nitidamente inventores, no sentido poundiano, por mais que este ou aquele venha a ser também um mestre”.[1] Portanto, a poesia de Mário Faustino é leitura obrigatória a todo jovem que se disponha a exercer uma vocação para a qual não basta o talento, a inteligência, a experiência.

Livro Póstumo – Foi através do poeta/ensaísta Haroldo de Campos (1929-2003) que fiquei sabendo da existência dos originais da “Evolução da Poesia Brasileira”, publicado por Mário Faustino em Poesia-Experiência, Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, entre 31 de agosto a 21 de dezembro de 1958, em dez números consecutivos, que se encontrava em poder do escritor e professor da Universidade Federal do Pará, Benedito Nunes.

Em outubro de 1989, na qualidade de pesquisador da Fundação Casa de Jorge Amado e participante do X Encontro Nacional dos Estudantes de Letras –ENEL (9 a 13 de outubro), que se realizaria em Belém do Pará, recebi incumbência do editor desta instituição, Claudius Portugal, para convencer Benedito Nunes a ceder os originais para publicação em forma de livro, a ser incluído na coleção Casa de Palavra da FCJA.

Em 5 de janeiro de 1990, recebo a primeira correspondência de Benedido Nunes, a cerca dos originais: “... está sendo datilografado o trabalho de Mário Faustino – Evolução da Poesia Brasileira – para os cadernos. Quando estiver pronto, um amigo meu lhe enviará. Sigo amanhã para os Estados Unidos: Universidad de Vanderbilt, Nashville, Tennessee – Department of Spanish and Portuguese”. Vinte meses depois, receberia a segunda correspondência, datada de 20 de setembro de 1991: “Eis o escrito de Mário Faustino. Estou à sua disposição para esclarecer qualquer dúvida e, se for o seu interesse, apesar da demora na remessa, mando-lhe cordial abraço”.

Graças a minha insistência de baiano, após várias conversas por telefone e cartas, consegui finalmente os originais do poeta/tradutor Mário Faustino, que foram publicados em noite de autógrafo de 23 de agosto de 1993, com a presença do próprio Benedito Nunes. Evolução da Poesia Brasileira, reúne treze artigos de Mário Faustino, que de cada vez ocupava uma página inteira, ou seja, o espaço todo do folhetim Poesia-Experiência.

Como bem observou o crítico Benedito Nunes “A crítica de Mário Faustino, escrevi na apresentação de Evolução da Poesia Brasileira que a Fundação Casa de Jorge Amado acaba de editar, é uma crítica que fez de um legado poético a resguardar; anti-tradicionalista, pela sua inclinação inventiva e descobridora, ai ao encontro do presente, pondo-se a serviço da inovação que abriria essa linguagem para as suas possibilidades futuras. Talvez se possa falar nos mesmos termos, como um misto de tradicionalismo e anti-tradicionalismo – o que tentarei fazer aqui – da poesia de Mário Faustino, da obra poética desse crítico de poesia”. [2]

Obras – Embora falecido aos 32 anos de idade os apreciadores de sua obra estranham a raridade de menções para com o legado qualitativo deste poeta e crítico aguçado, tanto em relação à nossa literatura, quanto em relação as literaturas inglesa e francesa, das quais foi grande estudioso. Mário Faustino deixou-nos ricos ensinamentos, igualmente no campo jornalístico ao colaborar, desde os dezesseis anos de idade (1946), numa coluna diária no jornal Província do Pará, e na Folha do Norte, onde foi diretor de redação e publicou seus primeiros poemas e traduções da poesia norte-americana, inglesa e francesa.

Ao viajar por longo período pelos Estados Unidos da América estudioso obsessivo como era, pode colher intensa experiência literária e vivencial que, conseqüentemente, ajudou-o a elaborar uma poesia densa e elevada, forjando-o crítico audaz e seguro.

Mário Faustino continua sendo subestimado, pois raros foram os artigos publicados até hoje a respeito deste poeta. Após sua morte foram publicados cinco livros que ajudam a revelar sua grandeza: O Homem e sua Hora, Ed. Civilização Brasileira, 1955; Cinco ensaios sobre Mário Faustino, ( texto: Assis Brasil), Série Coletânea, nº2, Editora GRD, 1964; Poesia de Mário Faustino, antologia poética (textos: Paulo Francis e Benedito Nunes), Editora Civilização Brasileira,1966; Poesia-Experiência, (Texto: Benedito Nunes) Editora Perspectiva, coleção Debates nº136, 1977; Poesia Completa-Poesia Traduzida (texto: Benedito Nunes), Editora Max Limonad, 1985; Os Melhores Poemas de Mário Faustino (texto: Benedito Nunes), Global, 1985, 2ª ed. 1988; Ezra Pound- Poesia (tradução Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari, J. L. Grünewald e Mário Faustino), Editora da Universidade de Brasília, 1983; Evolução da Poesia Brasileira (texto:Benedito Nunes), Fundação Casa de Jorge Amado, 1993.

Dentre os trabalho publicados sobre o poeta Mário Faustino, destacamos: Mário Faustino-Poeta e Crítico, J.L. Grünewald. Rio de Janeiro, Correio da Manhã, 15.dez.1962; Cinco ensaios sobre poesia, J.L. Grünewald. Suplemento Literário O Estado de São Paulo, 19.dez.1964; O poeta e sua vida, Haroldo Maranhão. Suplemento Literário O Estado de São Paulo, 9.jul.1966; Introdução ao Fim, Benedido Nunes. Suplemento Literário O Estado de São Paulo, 9.jul.1966; A poesia de Mário Faustino, Foed Castro Chamma. Rio, Leitura, Ano XXIV, nº106/107 –mai/jun. 1966; Últimos Livros, Wilson Martins. Suplemento Literário O Estado de São Paulo, 14.jan.1967; A Nova Literatura-II Poesia, Assis Brasil (A tradição da Imagem). CEA/MEC, 1975; Oficina da Palavra – Ensaio intertextual, Ivo Barbieri. Rio de Janeiro, Edições Achiamé, 1979; Tradição & Modernidade em Mário Faustino, Albeniza de Carvalho e Chaves (tese de Mestrado em teoria literária). Piauí, 1986; Mário Faustino ou a importância órfica, Haroldo de Campos. Cadernos de Teresina, Ano I, nº1 abr.1987; Uma peça na construção da Modernidade, Antônio Manoel Nunes. Rio de Janeiro, Jornal do Brasil (idéias Ensaios), 7. jan.1990; Mário Faustino, J.L. Grünewald. Folha de São Paulo, 2.dez.1992; Literatura Piauiense no Vestibular, Alcenor Candeira Filho. Parnaíba –Piauí, 1995; Poesia de Mão Dupla, Benedito Nunes. Salvador, Exu Documento – Fundação Casa de Jorge Amado, 1997; Mário Faustino, poeta e crítico subestimado, Carlos Frydman. São Paulo, O Escritor, fev.1998.

[1] Mário Faustino, Poesia-Experiência. São Paulo, Editora Perspectiva, col. Debates nº136, p. 279, 1977.
[2] Benedito Nunes, Poesia de Mão Dupla. Salvador, Exu Documento, Fundação Casa de Jorge Amado, 1997.

Aracaju. Jornal da Cidade, 25/26.dez.2003.
Sobre o autor:
Gilfrancisco é jornalista, pesquisador, escritor, com alguns trabalhos publicado, e professor universitário.
E-mail: gilfrancisco.santos@ig.com.br

Matéria publicada em 01/04/2005 - Edição Número 68

sábado, 28 de novembro de 2009

enigma tropical



a luz do sol mergulha a espinha central nas costas do equadro ela clara caminha em minha frente na calçada cabelos longos at[e o cóxix nu percebe-me a seu encalço vira o rosto não consigo ver teus olhos está de óculos escuros e não consigo tirar os meus daquela visão que é bela cintra ia dobrar na esquina próxima e resolvi seguir e continuar me deliciando com o movimento das pêras em minha frente sobressaltada pegou um ônibus deixando-me seguir em meus delírios e paixão por frutas que não são

Artur Gomes

silêncio gritos& sussurros

o seu corpo do poema
pede-me silêncio
ou algazarra?

farra
de bocas pernas coxas
línguas e dedos
nos recantos mais profundos
por onde dorme o teu desejo?

carícias delicadas
pela nuca
em torno da orelha
lábios deslizando
ao redor do teu umbigo?
o que o seu corpo do poema
quer viver comigo?
o seu corpo do poema
no deserto das delícias
é escorpião ou percevejo?

é calmaria
ou tempestadade
no alto mar da liberdade
pede-me noite ou claridade
ou
implora-me desesperadamente
os mais selvagens beijos?
arturgomes
sampleAndo
No twitter
No myspace
cine.vídeo.poesia
juras secretas

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

FestCampos de POesia Falada - Verdades e Equívocos



Primeiro, é bom lembrar que instituição alguma cria projeto. Projetos são criados e executados por pessoas que em determinados momentos ocupam função para tal, dentro de uma instituição pública ou privada. E no caso de uma Institução Cultural, age de acordo com a política cultural que os Dirigente das determinada instituição pretende implantar ou seguir executando o que foi pensado por gestões anteriores.

Segundo, alguns comentários que li, na imprensa e nos blogs locais, citam outros Festivais de Poesia acontecidos anteriormente como se fossem o FestCampos de Poesia Falada, é também como forma de desfazer este equívoco que segue o relato, ao mesmo tempo me assusto, e entendo os porquês, que nessa polêmica toda que se trava com relação ao FestCampos de Poesia Falada, pela forma com que ele foi lançado para ser realizado este ano, a toque de caixa, depois de sabermos que ele estava morto e enterrado, segundo o presidente da Fundação Cultural Oswaldo Lima, Avelino Ferreira, por ordem do Secretário de Cultura, Orávio de Campos, e até entendemos a resolução tomada no inicio de suas gestões, por saber d0esvaziamento e descaracterização que o mesmo começou a ter a partir de 2005.

Por quê deixei a sua coordenação em 2005?

A partir da mudança do governo Municipal e mudança na direção da FCJOL, o FestCampos de Poesia Falada, passou a não ter mais a infra estrutura e condições orçamentárias necessária para realizar as Oficinas de Poesia Falada, que faziam parte do Projeto Original, não ter o reajuste na premiação, como vinha acontecendo até 2004, e nem os recursos para pagamento do trabalho de coordenação do mesmo, bem como para o pagamento das perfomances com música, poesia e teatro, que aconteciam durante os 3 dias em que era executado, nos intervalos de julgamento. Quem viu sabe do que estou falando, e Orávio e Avelino, também sabem, porque o primeiro várias vezes fez parte da Comissão Julgadora, e o segundo era o Fotógrafo da Fundação, no período em que Fernando Leite foi o seu Presidente de 2000 a 2003, período emq eu o FestCampos de Poesia Falada, ganhou a projeção Nacional.

Por conhecer esta cidade como poucos, não estranho os comentários totalmente equivocados e as desinformações sobre a sua criação e a forma
como o FestCampos de Poesia Falada, era executado. Isso é claro que se dá devido a falta de memória e o analfabetismo cultural da Aldeia dos Goytacazes, o que é uma constante ao longo da sua existência. Na minha opinião como o seu criador (em 1999), e coordenador até 2004, o FestCampos de Poesia Falada, foi morto e enterrado desde 2005, quando começou a ser totalmente esvaziado e não seguir a risca o projeto para o qual foi concebido. E portanto se a atual gestão da FCJOL quisesse mesmo ressuscitá-lo, deveria pelo menos ter conhecimento da sua proposta original.

O FestCampos de Poesia Falada originalmente, era realizado em 3 fases: 2 semi-finais e uma final. Eram selecionadas 60 poesias, e em cada semi-final apresentadas 30 poesias, e na grande final eram apresentadas as 30 finalistas.
Por se tratar de um concurso destinado a poetas de todo o território nacional, e também por ter a sua fase de realização apresentada ao vivo, nem sempre poetas de cidades mais distantes poderiam comparecer, e para isso eram realizadas Oficinas de Poesia Falada para selecionarmos intérpretes para as poesias selecionadas cujos autores não pudessem estar presentes.

Por isso o FestCampos de Poesia Falada era um incentivo a criação e interpretação poética. A partir de 2005 quando deixei a coordenação do mesmo, o Festival deixou de seguir essas normas da sua concepção.
Vale lembrar que em 1999 quando o FestCampos de Poesia Falada foi criado, a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, era presidida por Lenilson Chaves, e o prefeito era Arnaldo Vianna, e não Garotinho, como chegou a ser publicado em um dos comentários que li. E é bom também frisar, que, anteriormente o evento de Poesia Falada, que a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, realizou de 1989 a 1992 chamava-se Encontro Nacional de Poesia em Voz Alta, criado pelo Professor João Vicente Alvarenga, no primeiro Governo Garotinho, quando a FCJOL era presidida por Cristina Lima. Fui também seu coordenador em 1989 e 1990. Posteriormente passou a ser coordenado pelo jornalista e poeta Prata Tavares, que entre 1977 até meados dos anos 80 realizou pelo Departamento Municipal de Cultura um outro Festival de Poesia.

Não só a experiência de participar como poeta e como coordenador desses Festivais anteriores, mas também o trabalho com a Mostra Visual de Poesia Brasileira, que criei em 1983, e executei até 1993, quando comecei a mapear a criação poética brasileira contemporânea, e dessa forma ir travando contato com poetas de todos os cantos do pais, foi o que me deu condições de pensar o FestCampos de Poesia Falada, da forma que pensei, quando em 1999 fui convidado pelo professor Luciano D´Angelo para integrar a equipe de Lenilson que iria assumir a presidência da FJCOL.

Em 1999 e 2000 o FestCampos de Poesia Falada, foi realizado no Auditório do Cefet. E em sua primeira edição o vencedor foi o poeta e jornalista Fernando Leite. Em sua segunda edição em 2000 o grande vencedor foi o poeta paraibano Sérgio de Castro Pinto, com o poema Camões/Lampião, que posteriormente foi publicado na Antologia dos 100 Melhores Poemas do Século, organizada pelo jornalista José Nêumane Pinto. Um outro poeta ilustre premiado na primeira edição do FestCampos de Poesia Falada foi Gilberto Mendonça Teles.
A partir de 2001 o Festival passou a ser realizado no Palácio da Cultura, e nesse ano foi vencido pelo jornalista e poeta Martinho Santafé, com o poema Manual Para Assassinar Frangos, um longo e belíssimo relato sobre as enchentes do rio Paraíba. Nesta fase o FestCampos de Poesia Falada já era considerado um dos maiores eventos de Poesia Falada do país, pois nunca deixara de receber mais de 500 inscrições, com a participação de grandes vozes da poesia brasileira contemporânea, o que serviu para ir alicerçando ainda mais as suas edições.
Em 2002 realizado junto a programação da Bienal do Livro o FestCampos de Poesia Falada, foi vencido pela filósofa e poeta Viviane Mosé, com o poema Receita Para Lavar Palavra Suja. A filósofa Viviane Mosé que até então não era um nome ainda muito conhecido na poesia, veio se popularizar posteriormente quando passou a dirigir o quadro Ser Ou Não Ser? No Fantástico.
Em 2003 foi a edição mais concorrida do FestCampos de Poesia Falada, não só em termos de inscrições como em termos da presença da quase totalidade os poetas classificados, de vários Estados do Brasil. O Vencedor deste ano foi Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi), com o poema Canção Amiga, que possibilitou ainda o prêmio de Melhor Intérprete a Felipe Manhães. Vale lembrar ainda a presença de Eliakin Rufino (autor), e Gean Queiroz, (intérprete) dois grandes poetas de Roraima, que foram também premiados com o poema Cavalo Selvagem.

Em 2004, último ano que coordenei o FestCampos de Poesia Falada, ele foi vencido pelo poeta paulista Luciano Carvalho, com o poema Bebe Toró. Em todas as edições do Festival, foi sempre maciça o número de inscrições de poetas de Campos e da região, e se nas fases de apresentação a presença desses poetas não se dava dessa forma, era exatamente devido a grande concorrência que ele atraia e a gualidade dos concorrentes. Mas vale ressaltar, que bons poetas como Antônio Roberto Góis Cavalcanti, Aluysio Abreu Barbosa, Adriano Moura, e gratas revelações como Manuela Cordeiro e Fernanda Hughenin, tiveram várias vezes suas poesias não só cla ssificadas para a Fase Final, bem como muitas vezes também premiadas, não justificando a tentativa muitas vezes depois que saí da sua coordenação, de torná-lo apenas regionalista para prestigiar os poetas de Campos. Veja bem, se nas 6 edições que coordenei, 3 poetas de outras cidades foram os vencedores, Sérgio de Castro Pinto(João Pessoa), Viviane Mosé(Vitória), Luciano Carvalho(São Paulo), e 3 poetas de Campos também venceram, Fernando Leite, Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi) e Martinho Santafé, sem falar naqueles que foram premiados com outras colocações.

Vale lembrar também alguns nomes que passaram pelas Comissões Julgadoras das 6 Edições que coordenei, entre 1999 e 2004, como Arlete Sendra, Orávio de Campos Soares, Cristiane Grando, Leonardo Lobos(poeta chileno), Pedro Lira, Sady Bianchi(professor de Teatro na Faculdade Hélio Alonso), Deneval Siqueira, Amélia Alves, Ednalda Almeida e tantos outros nome com as mesmas condições de julgamento desses acima citados.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Trem Tan Tan recebe prêmio do Ministério da Cultura



Loucos Pela Diversidade.


Acompanhe o Trem Tan Tan no recebimento da premiação do edital "Loucos pela Diversidade". Funarte. Rio de Janeiro. Dia 25 de novembro de 2009, 11 horasTeatro de Arena da Caixa CulturalAv. Almirante Barroso, n° 25 - sobreloja - Centro - Rio de Janeiro-RJ
Para maiores informações acesse já:

sábado, 21 de novembro de 2009

Causas & Efeitos CarNAvalhados



Toda minha febre gana fracasso sucesso fama vem da incessante insana busca pelo significado das palavras, sejam reais imaginárias inventadas ou simplesmente lapidadas para efeito de criação.
Caminhar por trilhas, vilas becos ruas avenidas é um esporte que pratico cotidianamente onde quer que eu esteja. E é nessas caminhadas que vou colhendo ora aqui, ora ali, nos muros, nas paredes ou até mesmo em placas publicitárias, elementos para aplacar a sede dessa busca.
Minhas caminhadas no momento me remetem a buscas de palavras de origem afro tupy e os seus significados, se existe algum significado para isso, poderia estar na minha própria origem ancestral. Mas às vezes por uma - faísca da surpresa – como frisou certa vez o meu amigo, o professor Fábio Lucas, surgem assim na frente dos meus olhos certas palavras que desfiam, e instigam a minha percepção.
Caminhando dia desses pela ruas de Santo André encontrei na porta de uma casa a palavra: Kanitsh, e me veio o poema.

alguém saberia me dizer o significado
da palavra kanitsh
que talvez tem origem nipônica
seria resultado da bomba atômica
que jogaram no japão
ou o átomo da bomba
deixou cacos no sushi no sashimi
no arroz e no centeio do meu pão?
Artur Gomes
SampleAndo

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Riverdies - show de lançamento CD



Olá amigos queridos, nosso EP de divulgação está chegando da fábrica e marcamos um show especial de lançamento, com direito a sessão de autógrafos pra quem quiser e tudo mais! =)
Estamos vendendo ingressos antecipados a R$12.
E no dia o disco será vendido por R$5.

Além do show e do cd, outra novidade muito legal é que passamos umas 12 horas ontem trabalhando na gravação de nosso primeiro video clipe profissional, pra música I Wonder, que está nesse álbum.
Filmamos no Parque das Ruínas em Santa Tereza, quando estiver pronta a edição nós mostraremos.
Beijão para todos e até o dia 03 –
Fil Buc
Escute 3 músicas do EP no nosso myspace:
www.myspace.com/riverdies
Ou com áudio de melhor qualidade no nosso site oficial:
www.riverdies.com
Prévias das 6 músicas em um dos portais que estão vendendo nossos mp3 mundo afora:
http://www.amazon.com/Down-Yard/dp/B002O6OQDU/ref=sr_shvl_album_1?ie=UTF8&qid=1253155884&sr=301-1

Nossa página com a empresa californiana A&R Select, contendo notícias e reviews internacionais sobre o disco:
http://arselect.ning.com/profile/riverdies

"Riverdies is one of those rare rock bands to find these days, with musicians who are really dedicated and infatuated for the art they create. The personality and intensity of their compositions and the notable care since the whole composing confections to the final sound production results, indicates that these guys got dexterity and refinement to become memorable." - Eden OliveiraThe band was formed in 2000 in Rio de Janeiro by bassist Gui Farizeli, guitarrist Leo Graterol, guitarrist Fil Buc and the vocalist Alex Melch, who shaped the sonority over their multi-influenced composions. Some time later, the experienced drummer Victor Vön Draxeler has filled in the band's line up. In spite of the band members got their own distinctive musical formations, they got a very strong influence in common by the sound played in Seattle during the early to mid 90’s.The early days of Riverdies were times of a wide creative profusion, because they had for the first time the possibility to work together on the composions that each of them have written before. In 2005, a first virtual single was released containing 3 songs, “These Words”, “Mileage” and “Still Remains”. These songs stood among the most played songs on soundclick.com. with thousands of users. The following years were of intense production pushed by Fil’s home studio mounting, where then the band started to record it’s stuff in an even more serious way.After several years experiencing the independent music scenario, the band wrote a number of songs enough to launch two or more albums. All this repertoire was performed around the stages of the most classic rock clubs in town., such as Ballroom, Garage, Kachanga, Néctar, Festival Sub Alternativo, Lonas Culturais, Rio Rock & Blues Club, Odisséia Theater and others.In 2009, relying on the phonografic producer’s help Eden (VMH Studios), Riverdies launches in the market it’s debut EP “Down Yard”, and more, the band is simultaneously setting up the upcoming first record release with 12 tracks included. Although the EP’s publicity had barely begun, the project had already earned them a couple of invitations to perform live at music festivals in Europe and North America where Riverdies established a loyal number of fans through the internet. The band has indeed everything to become the great Brazil’s representation in the international alternative rock market.About the name of the band:“Well, we’re musicians and being an artist for us is a need, a need of kicking so many emotions out, sound shaped, that’s our therapy, if we are capable to use our voice to spread any important message to someone else’s life, then our mission will be more than accomplished. And the name Riverdies besides the familiar sonority, it reminds also an old indian saying: “When the last river dies, may the man realise he can not drink his money and survive. ””
Press and Reviews
PRESS Music Industry News Network Riverdies Rock Band is Going to Promote their First Album Using New Technologies like SMDBy Lais Maciel To escape from the piracy, the Brazilian rock band Riverdies riverdies.com decided to use the technology to promote their first album. The group wants to launch their songs using paid downloads, ring tones for cell phone and a new technology called SMD.According to the APCM - Association Against Piracy Movies and Music - the Brazilian music market has 48% of piracy, what makes a drop of more than 50% at their invoice. Whereas the profit of the sale of CDs decreased, a lot of artists had to find new ways to divulge their work. The Internet is the alternative that they most use.The Riverdies is going to launch their first album in September, and they are going to use alternative ways to commercialize their sound - 'The market has changed, and we adjusted to this new reality.' - said Eden, the VMH Studio producer. Although the paid downloads that are available at official websites like Amazon.com or Submarino.com.br, the group will promote their songs using ringtones for cell phones at Claro Music Store.To not be restricted just to the Internet, the musicians are going to use the SMD - Semi Metallic Disc, the new bet against the piracy. With 100% of Brazilian technology, the SMD has just some changes at the visual of the common CD, and it can be played at any CD player. The big difference is the price of it production: the fans will buy the album paying just R$5 (around US$2, 50).The Album is going to be launch at September by VMH Records label (North America and Europe) and 'Oxigenio Music' label (South America). The EP was recorded at the VMH Studio with the production of Eden and the members of the Riverdies. Some songs are already available at Amazon.com. To more information, you can visit the Riverdies website: Riverdies.com----------------------------


REVIEW Wildys World CD Review Riverdies – Down Yard 2009, RiverdiesRiverdies is a Rio de Janeiro-based rock band with big dreams, big melodies and a wide variety of musical influences. Together since 2000, Riverdies has built a strong following in their native Brazil and is looking to spread their music beyond its borders. Featuring Alex Melch on vocal and guitar; Fil Buchaul and Leo Graterol on guitar, Gui Farizeli on bass/vox and Victor vonDraxeler on drums, Riverdies rocks with the best of them. Their latest album, Down Yard, just might have what it takes to make some noise in North America and beyond.The slow burn intensity of Pearl Jam crossed with the harder edge of Soundgarden or Alice In Chains is an apt way to describe Riverdies; bringing back the days of Grunge with a melodic vengeance. Down Yard opens with I Wonder, a big angry rocker that only deviates from the Seattle sound by incorporating a classic rock guitar solo. Riverdies steps back a bit further, walking the line between 1980's Pop/Metal and Grunge on Background. Vocalist Alex Melch is an affable and competent front man with an ideal voice for this material, although he never seems to really push the limit vocally. Riverdies slows things down a bit on Morning Dies, something of a melancholy power ballad. The musicianship here is particularly notable with distortion stripped away; the layering of guitars creates a smooth sound with a lot of vitality and movement underneath.Riverdies takes off the gloves with Build A New Life, a big dynamic rocker with guitar work reminiscent of Tommy Shaw & Ted Nugent in their Damn Yankees days. Melch finally makes the leap and goes to the wall on a demanding vocal line that stretches his limits. Fate is a sleepy tune that works well in contrast to Build A New Life. There's a lot of interesting stuff going on in the multiple guitar parts here, although it does get a little overcrowded at times. Riverdies says goodnight with Cliff, perhaps the most interesting and unusual track on Down Yard. Cliff takes a complex melody and builds it into a shifting musical framework is too involved to be improv but a little too wild to be set in stone. Cliff would allow for a lot of room to play, particularly in a live setting.Down Yard is an impressive if somewhat dated offering from Riverdies. The primary style here is the Seattle Grunge sound although it's been tempered by touches of 1980's Rock and lyric, singer-songwriter styles. Riverdies is dynamic and different enough to get attention. Their melancholic presentation usually works in Rock N Roll, and the songwriting is strong enough not to get stuck in a rut thus far. Take a chance and check out Riverdies; they just might surprise you.

Careeer Goals
Show our music to the World.
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License Music for Movies, Games, TV and Brands.
Sell MerchandisingHave fun while doing it.




terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tudo Tupy



Artur, segue a letra Tu Tu Tupy do Ziskind.

Tu Tu Tu Tu
Tu Tupi

Todo mundo tem
um pouco de índio
dentro de si
dentro de si
Todo mundo fala
língua de índio
Tupi Guarani
Tupi Guarani

E o velho cacique já dizia
tem coisas que a gente sabe
e não sabe que sabia

e ô e ô

O índio andou pelo Brasil
deu nome pra tudo que ele viu
Se o índio deu nome, tá dado!
Se o índio falou, tá falado!
Se o índio chacoalhou
tá chacoalhado!
e ô e ô

Chacoalha o chocalho
Chacoalha o chocalho
vamos chacoalhar
vamos chacoalhar
Chacoalha o chocalho
Chacoalha o chocalho
que índio vai falar:

Jabuticaba Caju Maracujá
Pipoca Mandioca Abacaxi
é tudo tupi
tupi guarani

Tamanduá Urubu Jaburu
Jararaca Jibóia
Tatu
Tu Tu Tu
é tudo tupi
tupi guarani

Arara Tucano Araponga Piranha
Perereca Sagüi Jabuti Jacaré
Jacaré Jacaré
quem sabe o que é que é?
- ...aquele que olha de lado...
é ou não é?

Se o índio falou tá falado
se o índio chacoalhou
tá chacoalhado
e ô e ô

Maranhão Maceió
Macapá Marajó
Paraná Paraíba
Pernambuco Piauí
Jundiaí Morumbi Curitiba Parati
É tudo tupi
Butantã Tremembé Tatuapé
Tatuapé Tatuapé
quem sabe o que é que é?
- ...caminho do Tatu...

Tu Tu Tu Tu
Todo mundo tem...
Márcio Vaccari

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


taubaté tremembé
tamanduateí
tabatinga taguatinga
tracunhenhem
tucuruví
toda palavra nua me tesa
como o t da tua tigresa
matisse que nunca vi

artur Gomes
http://tropicanalice.blogspot.com


a flor que alice traz na boca
não tem hóstia nem baton
é flor de lírios do cerrado
de um tom quase encarnado
meio carmim meio marron
cor dos olhos de alguém
que nunca vi numa janela
só ali pele e tecido
dentre a roupa sob pêlos
de um furor em carne viva
onde o sangue corre solto
e a pele ouro ao sol
risco de luz ao meio dia
cheirando sexo todos poros
e um estranha solidão
o teu nome
quase sempre em minha boca
como um beijo nunca findo
e o teu ser me permitindo
que entre pétalas e pedras
sangrasse o hímen da paixão


artur gomes
Lançamento do livro
"Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense
(2008-2009)" Rio de Janeiro,
acontece 09 de novembro de 2009
A Light, um Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro / INEPAC eo Instituto Cultural Cidade Viva convidam para o lançamento do Inventário das Fazendas do Vale do Paraíba Fluminense (2008-2009).
Sobre o livro
O Instituto Cultural Cidade Viva, em parceira com o Instituto Light e com uma coordenação técnica do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC / SEC, Através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, apresenta o Inventário das Fazendas de Café do Vale do Paraíba Fluminense.
Os objetivos do projeto são: o aprofundamento dos estudos relacionados à arquitetura rural fluminense do ciclo do café e de suas estruturas sociais e produtivas; O reconhecimento da sua Importância histórica e sócio-econômica na ocupação do Território e na conformação da paisagem cultural da região; uma divulgação desse conhecimento e do seu potencial como elemento Indutor ao fomento do turismo cultural; uma disponibilização, neste sítio da Internet, de todo o material produzido, das Fichas de Inventário ao Manual de Conservação Preventiva, passando por referências bibliográficas, iconográficas e arquivísticas.
O resultado deste trabalho permitira aos Governos em todas as Instâncias, pesquisadores, professores, alunos, moradores e aos profissionais de planejamento traçarem planos embasados de desenvolvimento e crescimento desta importante região do Estado do Rio de Janeiro.
Data e horário
Segunda-feira, 09 de novembro, das 19h às 20h
Local Centro Cultural Light - Grande Galeria
Av. Prof. Marechal Floriano, 168 - Centro
Rio de Janeiro, RJ
Maiores informações Tel: 21 2211-7295

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

I CONFERÊNCIA DE CULTURA ANTI-DEMOCRÁTICA DE VALENÇA

Um relato, manifesto e desabafo e de um pensador cultural e cidadão brasileiro que teve violado seus direitos constitucionais - culturais e humanos. Na manhã de sol do dia 30 de outubro passado saí da casa de minha mãe no bairro Dudu Lopes e contrariando uma tendência anterior minha, fui caminhando em direção ao auditório do ITERP que futuramente abrigará uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica na cidade, para participar da Conferência de Cultura "decretada" pelo executivo municipal.

Ia motivado pelas leituras que vinha fazendo a respeito da II Conferência Nacional de Cultura, convocada pelo Governo Federal, por intermédio do Ministério da Cultura, que previa ser um fórum participativo que deveria reunir artistas, produtores, gestores, conselheiros, empresários, patrocinadores, pensadores e ativistas da cultura, e a sociedade civil em geral.

Imagina que estava vivendo num Estado Democrático de Direito, que combina procedimentos da democracia representativa (eleições) e da democracia participativa DIRETA. Carregava na mochila uma “questão de ordem” que havia preparado na véspera, digitado e imprimido com cópia a ser protocolada, onde fazia algumas indagações sobre o processo da conferência local, a respeito dos seus objetivos e da legitimidade da mesma perante a II CNC. Não só isso, carregava também na minha cabeça e na minha mochila várias questões para contribuir para o processo.

Ao chegar ao recinto, efetuei o meu credenciamento no GRUPO V que iria discutir o eixo V – Gestão e Institucionalidade da Cultura, que dentro da filosofia do Plano Nacional da Cultura tem a ver não somente com o fortalecimento da ação do Estado no planejamento e execução das políticas culturais mas TAMBÉM e principalmente com a consolidação dos sistemas de participação social na gestão das políticas públicas.

Logo após, às 8:30 h. entreguei a uma funcionária municipal da Secretaria de Cultura e Turismo que estava trabalhando no evento, a primeira via da minha “questão de ordem” e solicitei recibo na minha segunda via, o que foi feito e está em meu poder. Roguei para que a mesma entregasse o documento à Coordenação da conferência municipal.

Passeava pelo recinto aguardando o início do evento, observando a todos e procurando encontrar representantes da diversidade cultural valenciana. Não havia quase nenhum. O público em sua maioria era composto de funcionários municipais, especialmente da Secretaria de Educação e identificava pessoas que haviam sido convocadas por carta, “selecionadas” de acordo com os interesses do executivo, com raríssimas exceções.

Neste momento um grupo de chorinho tocava na entrada do auditório. Sentei e esperei a conferência iniciar.

Conversava comigo mesmo. “O que estou fazendo aqui?”. Pensava na opinião de algumas pessoas que haviam me confidenciado que eu não deveria comparecer porque estaria “tocando pandeiro pra maluco sambar”.

Como sou um cidadão consciente, guerreiro da luz e não das trevas, produtor cultural, pesquisador, ex-Secretário de Cultura e Turismo, pensador da diversidade valenciana e que não costuma fugir das oportunidades de manifestar meu pensamento e não gosto de correr dos desafios optei por não ficar omisso no processo. Tinha que ver para crer no que iria acontecer.Finalmente a cerimônia de abertura com a composição da mesa, com ilustríssimo pra lá, ilustríssima pra cá, hino nacional e o escambau.

Aguardava ansiosamente para ser esclarecido sobre as minhas indagações. Foi quando a Secretaria de Cultura e Turismo, filha da vice-prefeita, anuncia que havia recebido uma “carta” (sic) do Professor (sic) Libório e que iria responder a mim pessoalmente DEPOIS.

Levantei meu braço direito, pedindo a palavra e disse inicialmente que não era professor. Não era essa a minha qualificação no documento que apresentei. Disse que a minha questão de ordem era pertinente e que estava EXPLÍCITO que solicitava que fosse apresentada no início dos trabalhos e que gostaria que ela fosse respondida naquele momento. Sua resposta iria decidir se continuaria ou não participando do evento.

A Sra. Secretária, diante da minha colocação respondeu que passaria minha questão de ordem para ser respondida pelo Sr. Álvaro Maciel, funcionário do Ministério da Cultura, lotado no setor de Artes Visuais da FUNARTE – Fundação Nacional das Artes no Rio de Janeiro, que iria apresentar o Eixo V da II CNC logo na abertura da apresentação dos eixos temáticos.

Neste momento, a claque “chapa branca” aplaudiu a Secretária com gritos de “muito bem!”, numa manifestação clara de hostilidade à minha pessoa.Antes do Sr. Álvaro Maciel, a representante da Secretaria Estadual de Cultura, Sra. Fernanda Buarque, lotada na Coordenadoria de Diversidade Cultural, fez uma breve apresentação do Plano Estadual e do Portal da Cultura que está para ser lançado em breve.

Fugindo da programação, um indivíduo ligado a uma ONG ambiental, que não tinha nenhuma questão relevante com relação à conferência para apresentar, fez uso da palavra para fazer proselitismo e promoção pessoal.Finalmente começa a apresentação dos eixos temáticos pelo representante do Minc., que com todo respeito à sua pessoa não soube esclarecer muito bem o tema Gestão e Institucionalidade da Cultura e ainda insinuou na sua fala que questões menores como eleição de delegados não deveria ser uma preocupação principal dos presentes. Com certeza teria apresentado o eixo MUITO melhor do que ele. Principalmente em se tratando de uma platéia leiga e desinformada que estava ali presente e que deveria ser sensibilizada melhor sobre a questão. Ao final de sua exposição, uma das apresentadoras do evento anuncia o próximo eixo a ser discutido, sem ter sido respondida minhas colocações expressas na questão de ordem apresentada.

Antes do Sr. Álvaro descer do palco, pela segunda vez, solicito a palavra estendendo o braço e ele disse que seria respondido DEPOIS e a claque mais uma vez aplaudiu o impedimento de eu falar. Foi quando uma voz, representando a Associação dos Amigos de uma biblioteca local se levantou e afirmou que não estava entendendo as “palmas” toda vez que eu estava sendo impedido de falar.

Aproveitei a “deixa” e usei de autoridade para impor minha fala, afirmando que pessoas que não estavam inscritas para falar já haviam feito uso da palavra e que exigia que fosse ouvido, nem que fosse pela última vez. Disse ao representando do MINC que não estava ali com intenções de ser delegado. O buraco era muito mais embaixo. O instrumento legal que o executivo usou para “decretar” a conferência municipal em nenhum momento afirmava que ela era parte integrante da II CNC, não mencionava o tema geral da mesma, não propunha um eixo municipal, não apresentava nenhuma proposta de discussão, não divulgou nada disso na rara publicidade da mesma e que a minha questão de ordem indagava muito mais, inclusive se a conferência de Valença havia elaborado um regimento interno, entre outras questões. Afirmei ainda que reconhecia que aquele espaço era uma conferência mas não reconhecia que ela pudesse ser vista como parte integrante da II CNC, não tinha legitimidade para eleger delegados e que a diversidade cultural valenciana não estava ali presente. Disse mais ainda, que a conferência não poderia ser reconhecida pelo MINC como um primeiro passo local no dever de casa que o município tinha que cumprir para se habilitar para assinar o “Acordo de Cooperação Federativa” para se integrar ao Sistema Nacional de Cultura. Terminei finalizando que havia criado no início do mês uma rede social – VOZES FLUMINEIRAS – e que lá estava disponibilizado desde o início, o Regimento Interno da II CNC, o texto-base, uma primeira versão do Plano Nacional de Cultura e várias discussões referentes à mesma.Depois das minhas colocações o Sr. Álvaro Maciel percebeu que não estava falando com um leigo no assunto e disse que estava ali junto com a representante do governo do estado para “resolver” essa situação e que iria se reunir DEPOIS com a comissão organizadora para dar os encaminhamentos.

A conferência prosseguiu com os outros convidados para apresentar os demais eixos e permaneci mudo na plenária até o intervalo para almoço quando me retirei da conferência.Em um dos intervalos procurei os representantes do governo federal e estadual presentes e perguntei se a Secretária havia passado minha questão de ordem para eles lerem até o momento e eles afirmaram que não. Cogitaram que reconheciam que eu era uma pessoa com condições de ser delegado e que eles poderiam referendar minha indicação. Respondi que só represento o que acredito e quando acredito mobilizo meus parcos recursos pessoais para comparecer. Não queria ir para uma conferência estadual representando o “vazio” de discussões locais e de falta de legitimidade. Disse ainda que já participei de vários seminários nacionais desde o início da gestão do ex-Ministro Gilberto Gil, como Seminário “Cultura para todos”, no Rio de Janeiro, em 2003 e o Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares em 2005 em Brasília, dentro outros como o Fórum Brasileiro de Cultura, realizado no Sesc do Rio de Janeiro, todos financiados com o meu bolso, sem depender de dinheiro público.Afirmei para a Sra. Fernanda Buarque que havia ficado satisfeito com a apresentação do Plano Estadual de Cultura e passei o endereço da rede social que havia criado, o que fiz para todos os outros convidados que apresentaram os eixos e que estaríamos nos encontrando no processo de construção do plano estadual.

Para finalizar meu relato, gostaria de esclarecer que não sou porta voz da diversidade valenciana que é imensa. Compareci ao que agora chamo de I Conferência de Cultura Anti-Democrática de Valença, como produtor, gestor, pesquisador e pensador dessa cultura. Representando eu mesmo. Uma visão no singular. Apenas minha voz. Faltaram as outras. Muitas.

Fui em nome também de um processo político muito importante que está acontecendo na cena cultural brasileira e de toda a abrangência de uma política pública na área da cultura.

Mas fui querendo uma convocada de verdade e mobilizada respeitando o Regimento da II CNC. Fui prá denunciar a incompetência do executivo municipal ter feito uma coisa totalmente diferente do que se esperava.Infelizmente em Valença não temos um coletivo que exerça de fato sua cidadania cultural. A sociedade civil está contaminada pela cultura política local atrasada de mais de 40 anos.

Pior de tudo foi que o representante do Ministério presente até o momento que participei e a representante da Secretaria de Estado, resolveram ser complacentes e reconheceram o "esforço" do executivo que prá mim só se esforçou em fazer mais um é-vento.Não sou complacente nem comigo, nem com familiares e amigos que pisam na bola e não vou ser com aqueles que ocupam cargos públicos para desenvolver políticas culturais governamentais (ou particulares?) de cultura.

A Conferência de Valença desrespeitou o Regimento Interno da II CNC em vários momentos e jogou ele na lata de lixo. Como coloquei na questão de ordem impressa e entregue em mãos antes do início oficial da mesma e no plenário enquanto estavam sendo apresentando os eixos, no momento em que consegui me expressar depois de várias tentativas.Nem o Papa nem o Presidente da República me convencem da sua legitimidade perante a II CNC e ao Sistema Nacional de Cultura.

Acontece que a "divisão" partidária dos cargos ministeriais faz com que alguns de seus membros "burlem" o processo da II CNC com esse papo de vamos dar um jeitinho.

E como não sou irmão do prefeito, amigo da vice e da filha secretária e não estudei no seminário com o representante do Minc no Rio de Janeiro, as relações de amizade prelaleceram.

Falo isso tranquilamente, com todo o respeito que tenho ao Padre Medoro que apresentou o Eixo 2, "Cultura, Cidade e Cidadania" de forma bastante razoável e até surpreendente com a crítica que fez ao jornalismo local que estampa as caras dos jovens, negros e pobres da periferia como se fossem traficantes, sem questionar que o problema da droga está na falta de oportunidades de cultura e lazer para a juventude valenciana. Eu e ele temos uma verdadeira relação de unidade na diversidade e diversidade na unidade em todos os diálogos que tivemos frente a frente. E sei que ele respeita meu trabalho e minha visão de mundo.

Em Valença a barbaridade venceu o processo legítimo e democrático.Mas a roda da história anda. E nossa rede social está começando sua trajetória.A sociedade civil valenciana em todos os setores tem que começar a fazer sua parte.

NADA MUDA SE A GENTE NÃO MUDAR!!!

Como disse a arte educadora Sônia Reis, que apresentou o Eixo III, "Cultura e Desenvolvimento Sustentável", não adianta só criticar o executivo, a sociedade civil tem que ser sujeito e objeto da sua história.Infelizmente essa não é a cultura política de uma grande maioria da sociedade civil valenciana.

Quem sabe faz a hora, aqui e agora, e não espera acontecer depois...depois...depois.

Estou encaminhando meu protesto para a Comissão Organizadora Nacional e denunciando a violação dos meus direitos constitucionais – culturais e humanos – para diversos setores da sociedade valenciana e brasileira, com a intenção de que o ocorrido em Valença não venha a se repetir em outra oportundade em que for convocada uma Conferência de Cultura local, desejando imensamente que seja realmente democrática, ampla, geral e irrestrita. Gostaria que a II Conferência Nacional de Cultura, bem como a Comissão Organizadora da II Conferência Estadual do Rio de Janeiro se manifestasse a respeito. Caso seja referendado o processo de eleição de delegados locais para a Conferência Estadual, o governo federal e o governo estadual, serão cúmplices dessa ilegitimidade e reús no processo que moverei pela violação dos meus direitos. Atenciosamente,

Libório Costa de Souza
cidadão brasileiroprodutor, pesquisador, gestor e pensador cultural INDEPENDENTE
http://vozesflumineiras.ning.com

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